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D Pedro I, nas viagens para
Minas Gerais, pousava na Fazenda de Corrêas e conhecendo as belezas e a
salubridade da região, resolveu adquiri-la, segundo alguns historiadores, levado
por conselho de amigos para tratamento da Princesa Imperial Dona Paula, que se
achava enferma.
Não querendo vendê-la, seu proprietário indicou a do
Córrego Seco que, por escritura pública de 6 de fevereiro de 1830, passou ao
patrimônio particular do Imperador, sendo no ano seguinte acrescida da Gleba no
Alto da Serra, com 50 braças de testada por meia légua de fundo. Com a
Abdicação em 1831, essas propriedades ficaram arrendadas até 1842, passando,
após a morte de D. Pedro I, a seu filho D. Pedro II.
Em 1840, a lei
provincial n.º 56, de 10 de maio concedia um crédito qüinqüenal em parcelas de
60:000$000 para importação de 600 casais de colonos e suas famílias, tendo o
governo assinado contrato com a casa Charles Del Rue, de Dunquerque.
O
major Júlio Frederico Koeler, que veio para o Brasil em 1828, sendo incorporado
à arma de engenharia do Exército Imperial e responsável pela construção de novos
trechos e pontes na Estrada da Serra da Estrela, aproveitou na execução dessas
obras, o trabalho dos colonos alemães chegados ao Brasil pelo navio “Justine” e
que estavam alojados na Fazenda do Córrego Seco.
O levantamento de uma
povoação e a construção do Palácio, bem como o plano de arrendamento e
colonização das terras foram objeto de ajuste celebrado em 16 de março de 1843,
o que fez com que muitos autores considerassem essa data como a da fundação da
cidade de Petrópolis. Possivelmente em cumprimento ou em conseqüência desse
ajuste, foi que o Dr. Caldas Viana, que governava a Província na qualidade de
Vice-Presidente em exercício, em 8 de julho de 1834, baixou portaria ordenando
ao Departamento de Obras Públicas que fizesse fabricar para serem colocados nos
locais pré-determinados da antiga Fazenda Córrego Seco “Dois Cruzeiros de
Madeira de Lei”. Em um deles escreveu: “Cruz de São Pedro de Alcântara de
Petrópolis” para indicar o local da futura cidade. Além desses dois marcos,
ordenou ainda a elevação de um poste, no alto do qual se lia em grandes letras a
palavra “Petrópolis”, indicando que a futura povoação se formaria sob os
auspícios de D. Pedro II.
Em 27 de março de 1844, a pedido do Major
Koeler, Caldas Viana deu a Petrópolis as prerrogativas de distrito de paz,
criando por deliberação dessa data, “Na Freguesia de São José do Rio Preto, do
termo da Paraíba do Sul, mais uma subdelegacia de polícia que se denominou do 2º
Distrito de Petrópolis”.
Aproveitando as facilidades concedidas por D.
Pedro II, chegam ao “Córrego Seco da Serra Acima”, denominação primitiva do Alto
da Serra, novos colonos alemães em 29 de junho de 1845. A chegada desses colonos
deu lugar a que o governo pensasse em transformar as terras em colônia agrícola,
para isso de e do Itamarati e aceitando a doação da Fazenda Quitandinha. Esse
intento não foi consumado, o que,entretanto, não impediu o desenvolvimento da
aglomeração que ali se constituíra.
Com a elevação do Arraial do Porto da
Estrela à categoria de vila, com a denominação de Vila da Estrela, Petrópolis,
que até 1846 era simples curato, passou a fazer parte de seuterritório,
recebendo a categoria de freguesia, sob a invocação de “São Pedro de Alcântara
de Petrópolis”, ficando desmembrado de Paraíba do Sul.
A fertilidade
dessas terras, a excelência do clima, o desvelo do Monarca por elas e, mais
ainda, o espírito altamente empreendedor dos colonos que a habitavam motivaram o
rápido desenvolvimento da freguesia. Em 1856, Petrópolis já podia orgulhar-se de
possuir mais de 6 mil habitantes para mais de mil prédios e um comércio
adiantado, constituído de 63 casas de negócios.
Paralelamente ao
desenvolvimento econômico e social de Petrópolis, florescia na mente dos seus
moradores a idéia da separação da Vila da Estrela, à qual designavam “A Pior das
Madastras”.
O movimento de emancipação começou a tomar vulto em 1856,
quando o deputado Coronel Amaro Emilío da Veiga tornou-se um ardoroso defensor
das aspirações do povo de Petrópolis, na Assembléia Provincial. Após vencer
cerradíssima campanha e inúmeras dificuldades de ordem político -
administrativa, conseguiu esse deputado ver coroados seus esforços com a criação
do Município de Petrópolis e a elevação da localidade do mesmo nome à categoria
de cidade pela lei n.º 961, de 29 de setembro 1857.
Com a proclamação da
República, o surto do progresso petropolitano pareceu diminuir; A revolta
armada, em 1893, porém, impossibilitando as comunicações com a cidade de
Niterói, obrigou a que o governo estadual mudasse para Petrópolis a capital
Fluminense, situação que perdurou até 1902, aumentando-lhe de muito a
importância que já possuía. No ano seguinte, a cidade foiescolhida para que nela
se realizasse a histórica reunião diplomática, terminada com a assinatura do
“Tratado de Petrópolis”, pelo qual o território do Acre foi anexado ao
Brasil.
A rápida evolução progressista que sempre caracterizou
Petrópolis, desde a sua fundação jamais esmoreceu. Durante 9 anos, 84 a 1902,
foi esta cidade capital do Estado do Rio de Janeiro.
A abertura da nova
Estrada Rio-Petrópolis, inaugurada em 1928, encurtando a distância entre a
cidade serrana e o Distrito Federal; a construção de rodovias interestaduais
para Bahia e Minas Gerais, fazendo passar a maior parte do tráfego pela chamada
“Cidade das Hortênsias”; e o ousado traçado da estrada que a liga a Teresópolis,
evidenciam a posição invejável de Petrópolis, não só no panorama turístico do
país como também no plano industrial do Estado. Atualmente Petrópolis é um
dos maiores centros receptivos de turismo do Brasil.
O alto nível
cultural e econômico de Petrópolis se evidencia pela existência de numerosas
associações culturais em seu território e pelo grande vulto de suas empresas
industriais e comerciais. Entre os vários motivos de que se orgulham seus
habitantes, destaca-se o de ser Petrópolis município de alto índice de
alfabetização.Para comemorar o 1º centenário de sua emancipação e elevação à
categoria de cidade e para perpetuar este acontecimento, foi inaugurado seu novo
monumento: um Obelisco revestido de mármore localizado no ponto mais central da
cidade, no qual, em várias placas, estão perpetuados os nomes dos que ajudaram
Júlio Frederico Koeler a construir a cidade, a fim de indicar às gerações
futuras, pela contemplação desse passado, o caminho do trabalho, da continuidade
e do progresso.
Fontes: Secretaria
Municipal de Turismo
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